Desde os primórdios de sua colonização, Jaraguá do Sul teve sua trajetória de desenvolvimento intrinsecamente ligada aos rios Itapocu e Jaraguá. Muito antes da urbanização e da consolidação industrial que marcam a identidade atual da cidade, esses cursos d'água foram os pilares da ocupação territorial, do progresso econômico e da formação social da região. A importância estratégica dos rios foi decisiva na chegada dos primeiros colonizadores, no escoamento da produção agrícola e no embrião das atividades que moldariam a economia local.
Os rios Itapocu e Jaraguá funcionavam como as principais referências geográficas em um território densamente florestado e de difícil penetração. Foi às margens do Rio Jaraguá, em 1876, que Emílio Carlos Jourdan estabeleceu o "Estabelecimento Jaraguá", marco inicial que deu o tom para a colonização do futuro município. Em uma era desprovida de infraestrutura rodoviária, as águas eram as vias naturais de deslocamento, o principal meio de abastecimento e a bússola que guiava os primeiros habitantes do Vale do Itapocu.
A proximidade com as margens fluviais não era mera coincidência. Elas ofereciam acesso vital à água potável, essencial para o consumo humano e a criação de animais, além de serem fundamentais para o cultivo agrícola. Com a chegada de imigrantes europeus, especialmente alemães, italianos e húngaros, a ocupação se expandiu para áreas como Rio da Luz, Rio Cerro e Garibaldi, muitas delas estabelecidas e desenvolvidas ao longo dos cursos d'água. A agricultura, primeira grande mola propulsora da economia regional, dependia diretamente da água para irrigação, subsistência e para o abastecimento das comunidades emergentes.
O Rio Itapocu, em particular, assumiu um papel central não apenas na agricultura, mas também no transporte e no comércio. Por décadas, foi a principal artéria para a circulação de mercadorias, conectando os colonos a mercados regionais. O Porto Czerniewicz, um ponto crucial para o embarque e desembarque de pessoas e produtos, demonstra a relevância do rio como corredor econômico. Com o avanço da industrialização, a força hídrica passou a ser explorada para movimentar moinhos e engenhos, impulsionando a produção e contribuindo para a transição de Jaraguá do Sul de uma economia agrária para um dos polos industriais mais importantes de Santa Catarina. Posteriormente, os recursos hídricos também foram aproveitados para a geração de energia elétrica, consolidando a relação simbiótica entre a cidade e seus rios.

