Uma nova estratégia política orquestrada diretamente pelo Palácio do Planalto e pelo presidente Lula da Silva visa reposicionar a esquerda nos estados do Sul do Brasil, priorizando a eleição de senadores em detrimento das disputas pelos governos estaduais. A tática envolve a nomeação de figuras proeminentes do PT, como Paulo Pimenta no Rio Grande do Sul, Gleisi Hoffmann no Paraná e Décio Lima em Santa Catarina, com o claro objetivo de fortalecer a influência institucional petista em Brasília, especialmente em um cenário onde o Senado terá papel decisivo.

No Rio Grande do Sul, o PT aceitou um papel secundário na chapa majoritária, abrindo mão do protagonismo que quase garantiu um petista no segundo turno em 2022. Edegar Pretto, que obteve expressiva votação anteriormente, foi deslocado para compor a chapa como vice, enquanto a candidatura ao governo será encabeçada por Juliana Brizola, herdeira política de Leonel Brizola, e contará com o apoio de Manuela D'Ávila. Essa manobra visa garantir a musculatura política do partido em Brasília.

A mesma fórmula se repete no Paraná, onde o PDT, representado por Requião Filho, herdeiro político de Roberto Requião, liderará a disputa pelo governo. O PT novamente adota uma posição coadjuvante, concentrando seus esforços na candidatura de Gleisi Hoffmann ao Senado. Ex-ministra e ex-presidente nacional do partido, Hoffmann teve sua candidatura ao Senado imposta pela estratégia nacional, que orienta a priorização da Câmara Alta em detrimento dos governos estaduais.

Em Santa Catarina, o cenário é similar. Décio Lima, que em 2022 chegou ao segundo turno na disputa pelo governo, agora se candidata ao Senado. A chapa majoritária para o governo será encabeçada por Gelson Merisio, historicamente ligado à centro-direita, mas que se aproximou do projeto petista recentemente, em parte devido a sua ligação com o grupo JBS. A composição inclui ainda Afrânio Boppré (PSOL) e Ângela Albino (PDT) como vice. Essa articulação regional demonstra a tentativa de manter o "brizolismo" integrado ao lulopetismo, com o PDT liderando as chapas no RS e PR, e ocupando a vice em SC. A aposta nacional do PT é que, com a pulverização das candidaturas conservadoras e a força do "segundo voto" no Senado, os nomes indicados pelo partido terão chances de êxito na Câmara Alta.